Momento da Agricultura: “A história da agricultura em Sergipe [I]”
A HISTÓRIA DA AGRICULTURA EM SERGIPE [I]
Manoel Moacir Costa Macêdo
A história é referenciada como ciência pelos registros em variadas formas. A tradicional é a escrita, no entanto, existem outras como a oralidade, os hábitos, os objetos e a sociabilidade. Valores que marcam a sociedade em seus aspectos históricos, antropológicos, sociais, econômicos e políticos.
No caso da agricultura, atividade paritária com a evolução humana na Terra, realça o domínio das espécies vegetais e seus cultivos pelo ser humano, para sobrevivência e evolução das criaturas na Terra.
A agricultura ultrapassou a sobrevivência para uma estratégica atividade comercial, a exemplo dos cultivos de ontem, pau-brasil, cana-de-açúcar, seringueira e cacau. Hoje, numa outra perspectiva, mas no mesmo contexto globalizado, a soja, o algodão e o milho. Eles definiram os ciclos econômicos do Brasil da Colônia à República. Em qualquer das quadras históricas, a agricultura marcou as relações sociais, econômicas e políticas pátrias.
No Estado de Sergipe, ente federativo nacional, a agricultura contribuiu na história e projetou o presente e o futuro. Alguns registros merecem atenção, longe de um tratado histórico com método e generalização, apenas referências e curiosidades.
Transcritos seletivamente e sem amarras metodológicas. Escritos pela lavra do engenheiro agrônomo José Belém de Carvalho, na obra “História da Agricultura em Sergipe 1860 – 1968”. Lapso temporal de mais de um século.
Eles revelam uma sociedade rural lastreada na agricultura escravocrata, nos senhores de engenhos e na desigualdade social.
- Nascimento de José Belém, no município de Riachuelo, filho de José Antonino de Carvalho e Mariana Belém de Carvalho. Engenheiro agrônomo pela Centenária Escola Agrícola da Bahia, em Cruz das Almas na década dos anos quarenta [varão de tradicional família sergipana];
- Quando a Sua Majestade, D. Pedro II, esteve na Província de Sergipe D’El Rei e, “desejando deixar um marco de sua passagem por essas terras, assinou o Decreto Imperial, sob nº 2.521, criando o Imperial Instituto Sergipano de Agricultura, com a finalidade de cuidar da Agropecuária em Sergipe” [evidência histórica oriunda da então Província sergipana];
- Pela Resolução nº 668, “incentivam-se as culturas do algodão nas matas de Itabaiana, do café nas matas de Simão Dias (cujo café, na época, era considerado melhor do que o de São Paulo), da cana-de-açúcar nas bacias dos rios Japaratuba, Sergipe, Cotinguiba, Vasabarris e Piauhy e do trigo e do arroz em Propriá, onde, também plantava-se algodão” [incentivo às culturas de exportação, que não eram chamadas de commodities];
- Nomeado pelo Governo Federal, “o agrônomo Ignácio Garcia Rosa Travassos, primeiro sergipano diplomado pela Escola Agrícola da Bahia, em 1882” [tradicional membro de família agrária sergipana];
- Sergipe a convite do Ministério da Agricultura, participou da Exposição em Londres, Inglaterra. Entre outras representações, estiveram presentes “amostras de produtos agrícolas das propriedades rurais de Silvio Sobral Garcez e Nicola Mandarino do município de Itaporanga d’Ajuda” [após mais de um século, essas mesmas famílias dominam o poder político municipal];
- Transferência do engenheiro agrônomo Emmanuel Franco “do Maranhão, para chefiar o Posto de Defesa Agrícola em Sergipe, com a finalidade de combater o anel vermelho do coqueiro”. Praga por ele descoberta de forma inédita no Brasil. O legado do professor Franco continua presente pelas suas contribuições no ensino e na pesquisa do Colégio Agrícola Benjamin Constant, na Universidade Federal de Sergipe e no Ministério da Agricultura [profissional ilibado e dedicado ao ensino e a pesquisaa, advindo da prole da tradicional família Franco];
Na próxima semana continuaremos contando os registros marcantes e seletivos da história da agricultura do Estado de Sergipe.
Manoel Moacir Costa Macêdo, é engenheiro agrônomo e advogado.
Momento da Agricultura: Homenagem à AEASE

