Demanda por alimentos contribui para crescimento do agronegócio na pandemia

Enquanto alguns setores ainda tentam se recuperar da crise econômica causada pela pandemia, o agronegócio registra crescimento de receita impulsionado pela alta demanda por produtos, principalmente grãos. Segundo especialista, alguns países impuseram restrições sobre importação e exportação, o que fez com que os preços internacionais subissem, ao passo que cresceu a demanda, de modo a impactar positivamente as vendas do Brasil para o exterior.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Lucílio Alves, pesquisador da equipe de grãos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, explica que durante a pandemia houve aumento da demanda por alimentos no Brasil e no mundo, especialmente por conta da mudança de rotina, já que as pessoas passaram a comer menos fora de casa. Alguns países impuseram restrições sobre importação e exportação, o que contribuiu para o aumento dos preços internacionais. Ao mesmo tempo, a demanda internacional por produtos corroborou para que países como o Brasil tivessem ganhos de receita em exportação.

“No caso de grãos, é importante lembrar que temos as cotações formadas em contexto internacional. Há uma forte integração entre os países para que a oferta e a demanda prevaleçam na formação dos preços, principalmente no mercado de soja e milho, mas também para trigo e arroz. Isso traz, consequentemente, aumento de preços no varejo, no atacado, nas unidades beneficiadoras e chega aos produtos”, explica o professor sobre o aumento de preços dos grãos.

Conforme Alves, apesar de problemas climáticos no primeiro semestre do ano, principalmente na região Sul do País, que sofreu com secas, o campo teve boa produtividade de maneira geral. O câmbio, a alta demanda e o fortalecimento das exportações de grãos tiveram papel fundamental para o crescimento do agronegócio durante a pandemia. A expectativa agora é que a colheita das safras de verão de 2021 possa contribuir para o ajuste de preços em contexto nacional. “Espera-se que no primeiro trimestre de 2021 nós tenhamos um ajustamento de preços, uma pressão sobre essas cotações e que a população possa sentir menos”, finaliza.

Fonte: https://jornal.usp.br/