Brasil vive revolução agrícola e com alta tecnologia

O brasileiro desconhece a própria força que possui diante da agricultura de seu país. O Brasil é o maior produtor de soja do mundo, possui uma vegetação nativa em propriedades rurais que rende aproximadamente 6 trilhões de reais por ano, tem um agronegócio que avançou 0,53% no primeiro semestre de 2019, comparado com o ano de 2018. Mas permanece com desafios.

O Ministério da Agricultura estimula a cooperação entre setor público e privado e mantém esperança de fazer parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, o quanto antes, já que teve sua vez tomada pela Argentina e pela Romênia. O atraso, além de prejudicar o processo de adesão, revela a dificuldade do Brasil em se posicionar com toda a sua capacidade de expansão com o agronegócio.

A ministra da pasta, Tereza Cristina, se surpreendeu com a decisão dos Estados Unidos. Mas continua ativa em sua posição como promotora da riqueza agropecuária brasileira. E lembra que o setor é responsável por 21% do PIB nacional e 20% dos empregos. Na mesma luta em defesa da potência agroalimentar e ambiental do país, o engenheiro agrônomo Xico Graziano ocupa lugar de destaque nas discussões. Doutor em Administração, possui várias obras publicadas e já integrou o governo de São Paulo. Atualmente também como professor na FGV, Xico Graziano responde ao Pleno.News sobre questões agrárias:

Em sua percepção, o que tem sido mito e o que tem sido verdade em torno do Agronegócio no Brasil?

A verdade é que o Brasil está realizando uma verdadeira revolução agrícola baseada no plantio direto e nos sistemas integrados de produção, que permitem até três safras na mesma área e ainda coloca a pecuária no mesmo terreno. Um modelo tropicalizado de agricultura, único no mundo. O mito contra o agro nega o valor da moderna tecnologia, quer ver um retorno à economia camponesa, trabalhando na enxada.

Na área de agronomia, o que significa e como funciona o selo de certificação sustentável?

Certificação sustentável significa cumprimento da legislação do código florestal, uso correto de pesticidas e valorização do trabalho na propriedade rural.

Na área de produção pecuária, a fiscalização ainda encontra prática de maus tratos com animais e como isso tem sido solucionado?

O bem estar animal entrou na agenda da pecuária sustentável, é um caminho sem volta. As criações precisam de conforto, boa alimentação, ambiente adequado; fazendo isso, aumenta a produtividade.

O governo Bolsonaro tem demonstrado apoio ao agro brasileiro. Mas quais são as reais perspectivas para este ramo de produção?

Bolsonaro respeita o agro, valoriza a agenda do campo. O governo, porém, quanto menos precisarmos dele, melhor. Chega de estatismo, de viver pendurado no cofre público. Cabe ao governo melhorar e investir na logística, e zelar pelo apoio aos pequenos negócios. O resto os agricultores fazem.

Quais os maiores problemas e desafios da agricultura brasileira?

Vários desafios. Começa por enfrentar a competição global, pois o fluxo de comércio internacional vai aumentar; mas digo que o maior desafio está na renovação, na sucessão, investir nos jovens agricultores.

Quais as orientações básicas para quem deseja empreender no Agronegócio?

Ficar esperto porque a agricultura hoje se baseia em muita tecnologia, e exige articulação na cadeia produtiva. Não é mais como antes que qualquer um conseguia produzir. Então, precisa ser profissional, dedicado, montar boas equipes, senão nem tente entrar.

Fonte: https://pleno.news/brasil